quarta-feira, 15 de junho de 2011

Grau 31: Grande Juiz Comendador

O 31º Grau ou o primeiro do Consistório dos Príncipes do Real Segredo, também conhecido por Inspetor Inquisidor Comendador ou Inspetor Inquisidor, é um Grau nitidamente religioso, com reminiscências no Livro dos Mortos da cultura egípcia. Apesar de ser considerado um Grau Administrativo, não tem nada disso, sendo na realidade, como veremos, de conteúdo esotérico, conservando uma doutrina gnóstica. Após a abertura ritualística dos Trabalhos, ouve-se lá fora o som de uma trompa, fazendo com que o Verdadeiro Conde (Presidente do Tribunal) determine ao Preboste que faça a verificação do que se passa.
Trata-se de Cavaleiros Kadosh (Grau 30) que pretendem ser recebidos no Tribunal da Santa Veheme para buscar justiça e para dele participarem.
Os Cavaleiros Kadosh queixam-se da situação da Ordem dos Templários e do assassinato de Jacques de Molay, sendo então admitidos no recinto do Tribunal da Santa Veheme. Segue-se um diálogo sobre o tema crimes judiciários, sendo mencionados inúmeros personagens no decorrer da conversação, dentre eles: Comendadores D'Aumont e Harris, Alberden, Walter de Clifton, Roberto Bruce, Larminius, Clemente V, Joana D'Are, João Huss, Savonarolla, Giordano Bruno, Vanine, Etiene Bolet, Calas, La Barre, Carlos Magno, Oton, Frederico II, Henrique IV, Gregório VII e outros. Falam-se ainda nos Tribunais Malditos — a Santa Inquisição, o Tribunal de Sangue da Holanda, a Câmara Estrelada da Inglaterra e os Tribunais Revolucionários da França. É ressaltada a injustiça dos crimes judiciários, como os crimes contra a liberdade de consciência, de pensamento e crimes políticos, deixando-se claro que a história apenas registrou os casos mais retumbantes, mas que, sem dúvida, os casos anônimos foram inúmeros.
Há, no final do diálogo, consideração elogiosa à justiça praticada pelo Tribunal da Santa Veheme. Convém lembrar que a Cena do Julgamento de Osíris não é o julgamento de Osíris, mas sim um julgamento feito por Osíris. Osíris não é julgado. É juiz!


1- A Santa Veheme

É conveniente dizer alguma coisa sobre a Santa Veheme, muito referida no Ritual do Grau 31 e por diversas vezes falada anteriormente. Sob todos os pontos de vista, a Idade Média foi um período de trevas para a humanidade. Muitos crimes hediondos foram cometidos em nome de ideais políticos pelo despotismo e até em nome de Deus, como foi o caso da Inquisição. Condenava-se por crimes de idéias e de pensamento e o obscurantismo e os erros grassavam. Para combater os verdadeiros crimes contra Deus, a Lei e a Honra, Carlos Magno ou Carlos I dos Francos criou o Tribunal da Santa Veheme, donde exaravam decisões rápidas e extremas.
Com o passar do tempo o Tribunal da Santa Veheme deturpou-se, caindo na ilegalidade, considerando alguns que continuou a atuar na clandestinidade.


2- Decoração do Templo do Grande Juiz Comendador

O Templo representa um tribunal, que é branco e sustentado por oito Colunas douradas. Tem o título de Soberano Tribunal, dividindo-se em duas câmaras: a Corte dos Verdadeiros Juízes e o Templo da Justiça.
Na primeira Câmara encontra-se o trono e diante dele uma mesa, tendo em cima dela uma Espada, uma corda e uma balança.
Na segunda Câmara, ao fundo, está a estátua de Themis, mãe da Eqüidade, Lei e Paz, que é uma deusa da mitologia grega.
Há também um quadro representando o Julgamento de Osíris, coberto por um véu. Resumidamente, o Julgamento de Osíris é o seguinte: Após a sua morte, o espírito do morto é conduzido pela Barca Solar, apresentando-se na Sala da Justiça, à presença de Osíris, para fazer o seu relato confessional. Após este ato, seu coração é depositado num prato da Balança de Osíris e no outro é colocada uma pena de avestruz, Símbolo da Deusa Verdade. A pesagem é presidida por Osíris e verificada por Hórus e Anúbis. O peso é anotado por Thot e Osíris pronuncia a sentença, Ísis e Nefites assistem à cena por trás de Osíris.
Caso haja absolvição, a alma do morto é absorvida por Osíris; caso contrário, a alma será devorada pelo monstro que de frente assiste a toda a cena. Participam do episódio descrito oito personagens e a lenda é muito detalhada no Livro dos Mortos.
O Tribunal é iluminado por 30 lâmpadas em três grupos de dez, ao Oriente, ao Ocidente e no centro, cada grupo arranjado num triângulo eqüilátero formado por filas de velas em quatro, três, duas e uma. A Themis da mitologia grega é considerada a Deusa da Justiça e aparece em muitas representações com os olhos vendados, simbolizando a imparcialidade da Justiça. Traz nas mãos a espada e a balança.


3 - Insígnias do Grau de Grande Juiz Comendador

Em Sessão do Grau 31 os Irmãos não usam Avental algum. Em visitas a outras Lojas de Graus inferiores podem usar um Avental do Grau visitado ou um Avental branco, trazendo na abeta uma cruz teutônica. Usam também um colar branco, tendo bordado um Triângulo radiante trazendo inscrito o número 31. Pendente, uma Jóia de prata, que é uma cruz teutônica.


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2 comentários:

  1. O grau 31 é diretamente oposto ao grau 69 na teoria da libertação humana, e quebra das crenças limitantes.

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  2. Os seguidores da libertação humana são ensinados a absorver o máximo de bondade que somente o Deus Amor pode oferecer.

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